05/08/2026 | 07:32 | G1
Mortes de cobradores de dívida no Paraná completam um ano sem prisões e sem solução; relembre o caso
REPRODUÇÃO

Há um ano, no dia 5 de agosto de 2025, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza eram vistos pela última vez com vida. Até hoje, os culpados pela morte deles não foram presos.

Os quatro homens morreram após cobrarem uma dívida gerada a partir da venda de uma propriedade rural. Os corpos estavam enterrados em uma vala, em Icaraíma, no noroeste do Paraná.

Os principais suspeitos são pai e filho: Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo. Eles foram incluídos na lista da Difusão Vermelha da Interpol e possuem mandados de prisão temporária em aberto por homicídio.

No início, o caso foi tratado como desaparecimento. A partir do momento em que a investigação identificou que se tratava de um crime, a apuração entrou em sigilo absoluto por parte das autoridades.

Em dezembro de 2025, a Polícia Civil (PC-PR) expôs uma série de detalhes sobre o caso. Foi nesta época que dois policiais civis foram alvo de mandados de busca e apreensão, por serem suspeitos de facilitar a fuga dos Buscariollo. O g1 questionou à assessoria da corporação sobre o resultado desta investigação, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, nesta terça-feira (4), o delegado Thiago Inácio disse que ainda não descarta a participação de outras pessoas na morte. A Polícia Científica e a Polícia Civil atualmente realizam análise dos dados colhidos pela investigação.

O delegado afirma que o caso permanece em investigação. "Os familiares querem justiça e têm todo o direito de exigirem isso do Estado. O que eu tenho a falar é que eles podem ficar tranquilos, que a Polícia Civil está trabalhando com o intuito de identificar todos os envolvidos e responsabilizar todos por esse crime", assegura.

Confira seis pontos para relembrar o caso

No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, para Icaraíma, no noroeste do Paraná, ao serem contratados por Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida.

A polícia apurou que havia uma cobrança de dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.

A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto.

Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.

Antônio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, foram ouvidos na delegacia no dia 6 de agosto de 2025. Na ocasião, confirmaram que houve um negócio de compra e venda de uma propriedade com um dos irmãos Buscariollo, mas negaram a relação direta com a dívida.

Após serem liberados, eles desapareceram, assim como todos os familiares deles que moravam no mesmo local. Pai e filho eram considerados foragidos até a última atualização desta reportagem.

A polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa deles no dia 7 de agosto de 2025.

Antônio possui antecedente criminal por posse ilegal de arma de fogo, mas Paulo não tem passagens pela polícia.

Em novembro de 2025, a polícia divulgou as fichas criminais dos quatro homens e afirmou que existe uma investigação para apurar se eles possuíam envolvimento com o crime organizado. O resultado desta apuração não foi divulgado.

Diego Henrique Affonso

Morador de Olímpia (SP), acompanhava Rafael e Robishley na viagem para Icaraíma com a missão de cobrar a dívida. Ficha criminal:

Segundo a Polícia Civil, Diego não chegou a ser preso nos casos. Houve apenas os registros dos crimes imputados a ele.

Rafael Juliano Marascalchi

Morava em São José do Rio Preto (SP), era casado, pai e avô. Vivia da renda de seus imóveis e, segundo a família, ocasionalmente fazia serviços de cobrança para conhecidos. Ficha criminal:

Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em 2005, 2007, 2008 e 2010.

Robishley Hirnani de Oliveira

Tinha dois filhos, uma menina de sete anos e um bebê de oito meses. Era amigo de Rafael e o convidou para a viagem, tendo já trabalhado com ele em outras ocasiões. Ficha criminal:

Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em 2022.

Alencar Gonçalves de Souza

Morador de Icaraíma, foi quem contratou os serviços do trio de São Paulo. Era próximo da família de uma das outras vítimas. Ele não tinha antecedentes criminais.

O veículo que as vítimas usaram na viagem foi encontrado no dia 12 de setembro de 2025. Ele foi localizado pela Polícia Militar Ambiental de Umuarama, enterrado em um bunker, em uma área de mata fechada na zona rural de Icaraíma.

À época, o coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do Paraná, disse que o pai de uma das vítimas recebeu uma carta anônima com a localização da picape.

Os corpos dos quatro homens só foram encontrados pela polícia na noite do dia 18 de setembro de 2025, depois de 44 dias de buscas. A confirmação foi feita na manhã do dia seguinte pelos delegados Gabriel Menezes e Tiago Andrade Inácio. Os corpos tinham marcas de tiros.

As vítimas estavam enterradas em uma vala, que estava coberta por plantas, a uma distância de 650 metros do ponto onde a picape das vítimas havia sido desenterrada.

O advogado Renan Farah representa Antônio e Paulo Bucariollo e nega que pai e filho cometeram o crime. Ele afirmou ao g1 não manter contato com os suspeitos e não saber onde eles estão. Além disso, informou enfrentar dificuldades para acessar o andamento do processo por conta do sigilo imposto.

O g1 procurou a defesa de Diego, Robishley e Rafael, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 também tenta identificar a defesa de Alencar.

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