A Copel está treinando 147 profissionais na segunda turma da Escola Copel de Eletricistas para ampliar as equipes próprias da companhia, com atenção especial ao Oeste, Sudoeste e Noroeste do Paraná. Os participantes já estão contratados, recebem salário durante aproximadamente três meses de capacitação e, ao concluírem a formação, seguem para as equipes de campo.
No Oeste, Cascavel está entre as principais bases da estratégia, juntamente com Medianeira e Marechal Cândido Rondon. A distribuição dos novos profissionais leva em consideração regiões com forte presença das cadeias produtivas rurais e a necessidade de manter equipes mais próximas dos locais onde ocorrem os atendimentos.
A nova etapa da Escola Copel ocorre em um momento de expansão e modernização do agronegócio. Além da construção de redes e da instalação de equipamentos, o crescimento da dependência de energia no campo exige profissionais que consigam chegar às propriedades com maior rapidez quando há problemas no fornecimento. Parte dos eletricistas também será direcionada ao reforço das equipes que atuarão no Copel Agro.
Segundo o superintendente de Linhas de Alta Tensão da Copel, Luciano Bento Dantas, a ampliação do quadro próprio está ligada à necessidade de aumentar a disponibilidade de mão de obra e proporcionar maior segurança operacional. A empresa continuará utilizando equipes terceirizadas, mas pretende ampliar a participação de profissionais próprios no primeiro atendimento das ocorrências.
Dantas afirma que existe uma relação de confiança da população com os profissionais da companhia e uma demanda para que eletricistas da própria Copel voltem a participar diretamente desse primeiro atendimento.
Formação tem cerca de 80% de atividades práticas
O treinamento da Escola Copel de Eletricistas dura aproximadamente três meses e foi planejado para reproduzir situações que os futuros profissionais vão encontrar durante o trabalho em campo.
Cerca de 80% da capacitação é prática. Os exercícios são feitos em estruturas equipadas com postes, redes e cabos semelhantes aos utilizados no sistema elétrico. Segundo Luciano Dantas, os espaços permitem que os participantes realizem treinamentos em condições próximas às que encontrarão na atividade profissional.
Os integrantes da turma não participam do treinamento apenas como candidatos a uma futura vaga. Eles ingressam na Escola já contratados pela Copel, recebem salário ao longo da capacitação e, depois de concluírem a preparação, passam a integrar as equipes que atuam em campo.
A segurança é um dos pontos centrais dos três meses de treinamento. Os novos profissionais aprendem a identificar riscos e a seguir os procedimentos necessários para trabalhar em uma atividade que envolve exposição permanente ao sistema elétrico.
A segunda turma dá continuidade à experiência inicial da Escola Copel e amplia o direcionamento de profissionais a regiões consideradas estratégicas pela companhia.
A intenção é manter as equipes mais perto das áreas com maior demanda e, dessa forma, diminuir a necessidade de grandes deslocamentos até os locais das ocorrências.
Novos eletricistas também reforçarão o Copel Agro
A estratégia de formação de eletricistas está ligada também ao Copel Agro, estrutura de atendimento voltada aos produtores rurais que desenvolvem atividades altamente dependentes de energia elétrica.
O gerente executivo do Copel Agro, Marcelo Gonçalves, explica que a companhia criou uma estrutura técnica exclusiva para avaliar problemas relacionados à qualidade do fornecimento, identificar situações que exigem manutenção preventiva ou novas obras e direcionar ações para evitar que os problemas voltem a ocorrer.
Esse trabalho aumentou também a necessidade de colocar profissionais em campo.
De acordo com Marcelo, 32 novas equipes próprias haviam iniciado as atividades naquela semana, enquanto outras 48 equipes estavam previstas para entrar em operação até o início de dezembro.
O planejamento relacionado ao Copel Agro envolve um aporte total de 100 equipes, compostas por eletricistas da própria companhia e treinadas especialmente para atender o público rural.
Um dos principais desafios nesse atendimento é a distância. Muitas propriedades rurais ficam longe dos grandes centros urbanos e em regiões de acesso mais difícil, condição que pode aumentar o tempo de deslocamento das equipes durante uma emergência.
Marcelo explica que essa distância pode tornar o atendimento mais demorado e, por isso, aproximar as equipes dos produtores é uma das prioridades da estratégia.
A mesma lógica é destacada por Luciano Dantas. No caso do Copel Agro, a intenção é posicionar profissionais próximos aos clientes para aumentar a capilaridade do atendimento.
O trabalho das equipes não ficará restrito às situações de emergência.
Segundo Dantas, também deverão ser executados serviços preventivos para diminuir a incidência de problemas na rede e, quando uma interrupção não puder ser evitada, reduzir o período necessário para restabelecer o fornecimento de energia.
Agronegócio aumenta demanda por energia no Oeste
A necessidade de manter profissionais próximos das propriedades ganha importância especialmente no Oeste do Paraná, onde atividades como avicultura, suinocultura e piscicultura utilizam sistemas cada vez mais automatizados e dependentes do fornecimento de eletricidade.
Marcelo Gonçalves classifica essas cadeias como eletrointensivas. Produtores de leite, suínos, aves e peixes estão entre os grupos que necessitam de fornecimento constante de energia e passaram a receber tratamento específico por meio do Copel Agro.
A ampliação do número de eletricistas, portanto, integra uma estratégia mais ampla.
O planejamento reúne aumento das equipes em campo, serviços de manutenção preventiva, execução de obras e atendimento especializado nas regiões onde uma interrupção de energia pode produzir impacto direto sobre as atividades produtivas.
Copel prevê necessidade de novas turmas
A formação de novos eletricistas não deverá terminar com os 147 participantes da atual turma.
A Copel dimensionou a quantidade de equipes necessárias para atender os 399 municípios do Paraná e, segundo Luciano Dantas, provavelmente precisará abrir novas turmas ao longo dos próximos anos para manter o quadro adequado às necessidades da companhia.
Parte dessa necessidade está ligada à própria movimentação profissional interna.
Alguns eletricistas deixam a função ao longo do tempo, enquanto outros avançam na carreira e passam a ocupar cargos técnicos ou posições na área de engenharia.
Nesse contexto, a Escola Copel de Eletricistas também funciona como uma porta de entrada para outras carreiras dentro da companhia.
Dantas relata que existem profissionais que começam trabalhando como eletricistas e, conforme avançam na formação e acumulam experiência, passam a ocupar outras funções na empresa.
Como acompanhar oportunidades para eletricista na Copel
Quem pretende participar de futuras seleções deve acompanhar os canais oficiais da Copel, o LinkedIn e as agências de emprego, onde as oportunidades são divulgadas.
Experiência anterior no setor elétrico não é necessariamente uma exigência para participar dos processos.
Segundo Luciano Dantas, boa parte dos profissionais selecionados entra na companhia como júnior e recebe a formação necessária desde o início.
A segunda turma da Escola Copel evidencia uma parte dos investimentos em infraestrutura elétrica que nem sempre aparece associada à construção e modernização das redes: a necessidade de formar profissionais e posicioná-los estrategicamente pelo território paranaense.
No Oeste, onde a produção rural utiliza cada vez mais equipamentos e sistemas dependentes de eletricidade, reduzir a distância entre as equipes de atendimento e as propriedades passa a integrar a estratégia para diminuir o tempo de resposta às ocorrências.