Os motoristas já começaram a pagar pedágio nas rodovias administradas pela Via Campo, mas terão de aguardar até abril de 2030 para que sejam concluídos os 30,7 quilômetros de duplicação previstos na BR-369, entre Cascavel e a região de Corbélia.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou em maio de 2026 o início da cobrança nas praças de Corbélia, Mamborê e Floresta. A tarifa básica divulgada para veículos de passeio é de R$ 18,80 por passagem.
Enquanto a cobrança começa nos primeiros meses da concessão, a principal intervenção aguardada por quem utiliza diariamente a BR-369 será entregue de forma gradual. Apenas 5,4 quilômetros têm conclusão prevista para abril de 2029.
A maior parte da duplicação, correspondente a outros 25,3 quilômetros, poderá ficar para abril de 2030, no quarto ano da concessão.
Na prática, o usuário começa a pagar agora, mas pode ter de aguardar quatro anos para receber toda a ampliação anunciada nesse trecho da rodovia.
Os prazos fazem parte do cronograma contratual e, até o momento, não representam atraso. A concessionária poderá antecipar as entregas, mas não informou no material divulgado uma previsão anterior às datas-limite de 2029 e 2030.
Apenas 5,4 quilômetros até 2029
A primeira etapa está prevista para o trecho urbano de Cascavel, entre os quilômetros 501 e 507 da BR-369.
Além de 5,4 quilômetros de duplicação, a Via Campo prevê construir 11 quilômetros de vias marginais, 11,4 quilômetros de ciclovias e duas passarelas para pedestres.
Também está incluída uma interseção em desnível do tipo trevo diamante no quilômetro 506,3. A conclusão dessa etapa deverá ocorrer até abril de 2029, três anos após o início da concessão.
Maior parte da obra fica para 2030
Os 25,3 quilômetros restantes estão previstos para o ano seguinte.
Serão 8,95 quilômetros entre os quilômetros 472 e 481 e outros 16,3 quilômetros entre os quilômetros 485 e 501.
Essa fase ainda prevê 1,75 quilômetro de vias marginais, quatro retornos em nível, uma interseção em desnível no quilômetro 501, 600 metros de ciclovias e 5,2 quilômetros de travessia urbana.
Somadas, as duas etapas terão 30,7 quilômetros de duplicação. O projeto também reúne 12,7 quilômetros de vias marginais, 12 quilômetros de ciclovias, duas passarelas, quatro retornos e duas interseções em desnível.
Embora a divulgação apresente a obra como uma duplicação entre Cascavel e Corbélia, os segmentos descritos não formam um trecho totalmente contínuo. O cronograma não prevê duplicação entre os quilômetros 481 e 485 dentro dessas duas etapas.
O que será feito enquanto a duplicação não chega
A Via Campo afirma que, durante os primeiros 12 meses, realizará os chamados “trabalhos iniciais”, que envolvem conservação e recuperação da rodovia.
Na BR-369, a empresa prevê recuperar 15,5 quilômetros de pavimento, além da sinalização, das defensas metálicas, dos sistemas de drenagem e da iluminação pública.
Também estão programadas intervenções em quatro pontes ou viadutos, roçada da faixa de domínio e reforma da base operacional localizada no quilômetro 476,4, anexa à praça de pedágio.
Esses serviços fazem parte das obrigações iniciais da concessão, mas não substituem a duplicação reivindicada há anos por moradores, trabalhadores, transportadores e demais usuários da rodovia.
O diretor de Engenharia da Via Campo, Pedro Veloso, afirmou que a ampliação é considerada prioridade pela concessionária.
“As obras na BR-369 são uma prioridade para a Via Campo. Nosso foco é executar intervenções para aumentar a segurança viária, reduzir o número de acidentes – especialmente colisões frontais e transversais – e proporcionar mais fluidez ao tráfego”, declarou.
O contrato da Via Campo tem duração de 30 anos e abrange aproximadamente 433 quilômetros de rodovias federais e estaduais. A assinatura ocorreu em março de 2026.
Segundo a concessionária, estão previstos cerca de R$ 11,8 bilhões em investimentos durante todo o período. Desse total, aproximadamente R$ 6,7 bilhões seriam aplicados em obras de ampliação e melhorias estruturais, enquanto R$ 5,1 bilhões seriam destinados à operação e à manutenção da malha viária.