22/07/2026 | 10:59 | LA NÁCION
Grupo formente armado ataca posto policial no Paraguai e deixa três mortos
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Um violento ataque armado contra um posto da Polícia Nacional do Paraguai deixou dois policiais e um funcionário civil mortos na noite de terça-feira (21), no departamento de Canindeyú, região que faz fronteira com os estados brasileiros do Paraná e Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu no Posto Policial nº 4 da colônia Naranjito, no distrito de Ybyrarobaná, a cerca de 130 quilômetros de Guaíra (PR), e mobiliza uma grande operação das forças de segurança paraguaias.

Segundo as autoridades, entre 20 e 30 homens fortemente armados invadiram a unidade policial por volta das 23h. Vestindo roupas camufladas e utilizando armamento de grosso calibre, os criminosos abriram fogo contra os policiais que estavam de serviço e, na sequência, incendiaram completamente o posto policial, além de uma viatura e veículos particulares estacionados no local.

As vítimas fatais foram identificadas como os suboficiais Atilio Martínez Barrios, de 40 anos, e Herminio Ojeda González, de 32 anos, além do funcionário civil Josemar Escobar Piris, de 38 anos, que prestava serviços na unidade policial e estava no local no momento do atentado.

Outro policial, identificado como Víctor Raúl Gavilán, foi baleado durante o ataque. Inicialmente levado ao Hospital de Curuguaty, ele foi transferido para o Hospital da Polícia Rigoberto Caballero, em Assunção. Conforme a direção da unidade, o policial está consciente, em estado estável e segue sendo submetido a exames para avaliar a extensão dos ferimentos.

Sobrevivente fingiu estar morto

Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos investigadores foi o relato do policial sobrevivente. De acordo com o promotor Óscar Paredes, ele foi atingido por dois disparos enquanto descansava dentro da viatura aguardando o início do turno. Para escapar da execução, fingiu estar morto.

Mesmo após os criminosos lançarem uma bomba incendiária contra a viatura, o policial conseguiu sair pelo lado do passageiro quando as chamas começaram a se espalhar e fugiu para uma área de mata, sendo posteriormente resgatado. Seu depoimento é considerado fundamental para as investigações.

Ataque foi planejado e pode ter sido um recado do crime organizado

O comandante da Polícia Nacional do Paraguai, comissário César Silguero, afirmou que todas as características apontam para uma ação de uma organização criminosa altamente estruturada.

Segundo ele, o ataque foi rápido, coordenado e executado por um grupo numeroso, que utilizou armamento pesado e destruiu completamente a estrutura policial, indicando uma clara demonstração de força contra o Estado. Um posto de comando unificado foi instalado na região para coordenar as investigações.

Durante a perícia, foram encontradas cápsulas de fuzis calibres 5,56 mm, 7,62 mm, além de munições de espingarda, confirmando o poder de fogo empregado pelos criminosos.

Investigação segue sem apontar grupo responsável

Apesar da região de Canindeyú ser conhecida pela atuação de organizações ligadas ao narcotráfico, contrabando e outros crimes transnacionais, as autoridades paraguaias afirmam que ainda não é possível atribuir o atentado a um grupo específico.

O Comando de Operações de Defesa Interna (CODI) informou que todas as linhas de investigação permanecem abertas, inclusive a possibilidade de participação de facções criminosas que atuam na faixa de fronteira. Até o momento, não há confirmação de envolvimento do grupo guerrilheiro EPP (Exército do Povo Paraguaio).

O atentado é considerado um dos mais graves registrados nos últimos anos contra forças de segurança no Paraguai e reforça a preocupação das autoridades com o avanço de organizações criminosas na região de fronteira com o Brasil.

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