A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, não foi aceita pelo Congresso e o futuro político do chefe de Estado depende agora de uma decisão do Senado. Enquanto os parlamentares analisam o pedido de impeachment, aprovado pelos deputados, protestos são registrados em diferentes regiões do país.
Peña continua oficialmente na Presidência, mas, conforme a apuração da reportagem, está sem poder de decisão. Uma sessão extraordinária do Senado foi convocada para avaliar se o processo de impeachment terá continuidade.
A diferença entre as duas possibilidades é o que aumenta a tensão política. Caso a renúncia fosse aceita, Peña passaria a ocupar uma cadeira de senador vitalício, condição que lhe garante foro especial. Já se for afastado por impeachment, ele perde essa condição e poderá ser investigado, responsabilizado e até preso.
A situação também provocou manifestações populares. Em Cidade do Leste, dezenas de pessoas foram às ruas na quarta-feira (5) para cobrar explicações e soluções para a crise bancária.
Cerca de 3 milhões de pessoas foram prejudicadas pelo colapso do Ueno Bank, entre elas brasileiros que moram ou estão no Paraguai. Muitos correntistas relatam dificuldades para acessar o próprio dinheiro e pagar despesas básicas, como aluguel e contas de água.
Diante da pressão, o governo paraguaio anunciou que começa a liberar nesta sexta-feira (6) parte dos valores retidos. Cada correntista poderá retirar até 10 milhões de guaranis, o equivalente a aproximadamente R$ 9 mil.
A crise bancária desencadeou a crise política que levou Peña a anunciar a renúncia. O presidente havia afirmado que a decisão buscava preservar a estabilidade do país, mas a movimentação pelo impeachment mudou o rumo da sucessão presidencial.
Entre os parlamentares, também existe preocupação de que Peña deixe o Paraguai antes da definição do processo. A decisão do Senado deve determinar os próximos passos da crise política no país.