Mudança nas regras e transferências milionárias
A partir de 2020, uma mudança na regulamentação passou a exigir que as sociedades de capitalização depositassem os valores diretamente nas contas das entidades beneficentes.
Conforme o Gaeco, há indícios de que os investigados tenham adaptado o suposto esquema por meio de contratos de promoção de vendas que não atenderiam aos requisitos legais.
Entre março de 2020 e maio de 2022, a Santa Casa de Londrina transferiu R$ 33,16 milhões à distribuidora investigada.
Já o Hospital do Câncer de Londrina repassou R$ 3,75 milhões entre julho de 2020 e abril de 2021. Documentos apresentados pelo próprio hospital indicam que transferências semelhantes continuaram com empresas sucessoras, sob outra marca, pelo menos até 2024.
Imóveis e veículos de luxo
O Ministério Público também investiga a possível lavagem dos valores desviados. Segundo a apuração, o dinheiro teria passado por diferentes operações financeiras para dificultar a identificação da origem. Empresas registradas em nome de familiares dos sócios da distribuidora teriam sido utilizadas para adquirir imóveis e veículos de luxo.
Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou o sequestro de imóveis e o bloqueio de valores até o limite de R$ 36.913.661,48.
São investigadas possíveis práticas de apropriação indébita, estelionato contra entidades beneficentes, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
O MPPR ressalta que a comercialização de títulos de capitalização filantrópica é uma atividade legal, regulamentada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), e que as instituições beneficentes são consideradas possíveis vítimas das irregularidades. As investigações continuam e o processo tramita em segredo de justiça.