Uma mulher de 54 anos passou mais de 14 horas lutando pela própria vida, caída dentro de casa, após ser brutalmente espancada em Santa Tereza do Oeste. O agressor permaneceu no imóvel, impediu que um vizinho prestasse ajuda e só deixou o local horas depois. Quando a vítima finalmente foi encontrada, estava praticamente inconsciente, cuspindo sangue e com extrema dificuldade para respirar.
O caso, tratado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio, foi detalhado pelo delegado Emanuel Almeida, da Delegacia de Santa Tereza do Oeste, durante entrevista concedida na tarde desta quarta-feira (1º).
Segundo as investigações, as agressões aconteceram ainda na noite de segunda-feira (29). Por volta das 23h, um vizinho ouviu desesperados pedidos de socorro vindos da residência e correu até o imóvel. Ao bater na porta, foi recebido pelo suspeito, que afirmou que "estava tudo bem" e ordenou que ele fosse embora.
Sem imaginar a gravidade da situação, o morador deixou o local.
Enquanto isso, a vítima permanecia gravemente ferida dentro da casa.
Somente na tarde de terça-feira (30), ao perceber que algo continuava estranho, o mesmo vizinho decidiu entrar na residência. O que encontrou foi uma cena devastadora: a mulher agonizava, sem forças para pedir ajuda.
A Polícia Civil foi acionada imediatamente.
"Nos deparamos com uma situação extremamente crítica. Ela estava há mais de 14 horas sem qualquer socorro, cuspindo sangue, com dificuldades graves para respirar. Acionamos imediatamente o SAMU", relatou o delegado Emanuel Almeida.
A mulher foi encaminhada inicialmente ao posto de saúde de Santa Tereza do Oeste e, devido à gravidade dos ferimentos, transferida ao Hospital Universitário de Cascavel, onde permanece internada, entubada e em estado gravíssimo. Conforme informado pela equipe médica à família, ela corre risco iminente de morte.
As investigações apontam que o homem preso havia chegado recentemente de Jaraguá do Sul (SC) e estava morando na residência da vítima após receber abrigo dela. A Polícia Civil ainda apura se os dois mantinham apenas amizade ou também um relacionamento amoroso.
Após ser localizado, o suspeito confessou o crime.
Segundo o delegado, ele afirmou que estava sob efeito de crack quando espancou a mulher até deixá-la à beira da morte. Demonstrando arrependimento, foi conduzido à cadeia pública e autuado em flagrante por tentativa de feminicídio.
Na avaliação da Polícia Civil, a violência empregada foi extrema.
Conforme Emanuel Almeida, a vítima foi espancada de forma tão brutal que, quando os policiais chegaram, já apresentava sinais gravíssimos, praticamente inconsciente e com poucas respostas respiratórias.
A tipificação como tentativa de feminicídio leva em consideração não apenas a violência praticada, mas também o contexto da ocorrência. Segundo o delegado, há indícios de menosprezo à condição de mulher da vítima, que havia acolhido o agressor em sua casa por hospitalidade.
A Polícia Civil acompanha diariamente o estado de saúde da vítima.
Caso ela não resista aos ferimentos, o crime será automaticamente reclassificado para feminicídio consumado, o que agravará ainda mais a responsabilização criminal do investigado.
Enquanto isso, os investigadores aguardam os laudos médicos e o prontuário hospitalar para concluir o inquérito.
O delegado fez questão de destacar a importância da atitude do morador que insistiu em verificar a situação.
Foi ele quem ouviu os gritos de socorro na noite do crime. Também foi ele quem, no dia seguinte, ao perceber que algo estava errado, entrou na residência e encontrou a mulher entre a vida e a morte.
Segundo Emanuel Almeida, esse gesto foi determinante para que a vítima finalmente recebesse atendimento médico e para que a Polícia Civil identificasse rapidamente o autor, que acabou confessando o espancamento.
Agora, a expectativa é pela recuperação da mulher, enquanto o suspeito permanece preso e à disposição da Justiça.